Ano Letivo

2016

Unidade Curricular

Atelier 1A – Paisagem

Ano Curricular


Docência

Rute Carlos

Título do Exercício

A paisagem do Parque Arqueológico do Vale do Terva, Boticas

Lugar de Intervenção

Parque Arqueológico do Vale do Terva, Boticas

Enunciado do Exercício

ATELIER 1A contempla um único exercício prático, faseado, que tem como objetivo a reflexão e a transformação das áreas de reserva agrícola e ecológica, associadas ao território do Parque Arqueológico do Vale do Terva (PAVT), em Boticas.

Partindo deste território alargado procurar-se-á analisar a complexidade do lugar, interpretando os elementos, os processos, as dinâmicas e as lógicas relacionais que caracterizam a sua paisagem, de modo a formular uma estratégia de atuação que ative o seu potencial latente.

O exercício desenvolve-se em três fases:

(1) ANÁLISE – a partir da observação in situ e da exploração do lugar os alunos, em grupo, deverão construir uma narrativa (crítica e seletiva) que sintetize a problemática e o potencial do lugar e que aponte uma ideia/conceito de intervenção.

(2) ESTRATÉGIA – a través da exploração da ideia, os alunos deverão descobrir/desenvolver as ferramentas que permitem sintetizar o processo de atuação, enquadrando-o num projeto estratégico capaz de definir em simultâneo, um método de atuação e um compromisso formal com o lugar, definindo programa(s), escala(s) e tempos(s) de intervenção. Nesta fase serão também definidos os âmbitos de atuação individual.

(3) ATUAÇÃO – a partir da estratégia, cada aluno individualmente irá produzir um estudo preliminar de um âmbito de atuação, desenvolvendo ferramentas que o permitam sintetizar. Esta fase concluirá com a definição formal e construtiva de uma ou várias intervenções propostas.

 

Este trabalho académico foi desenvolvido no âmbito do protocolo de colaboração entre a Universidade do Minho e Município de Boticas, com a colaboração da Unidade de Arqueologia da UM.

A paisagem agrícola de Ardãos

reconhecer | preservar | incentivar

Ana Beatriz Oliveira, Elsa Gonçalves, Natália Maximo, Paulo Oliveira, Tatiana Campos

 

ACT-20162017-ATL1A-GRUPO_A-img01

Painel de grupo

 

O território do Parque Arqueológico do Vale do Terva, marcadamente rural, contém cinco aldeias: Ardãos, Nogueira, Bobadela, Sapiãos e Sapelos, tendo como meio do subsistência as atividades de carácter agro-pastoril. Este trabalho centrou-se em Ardãos por reunir aspetos que definem todo o território e cuja a pratica agrícola ainda é identitária.

O estudo da paisagem agrícola de Ardãos pode ser definida a partir dos seguintes extratos: Muros e Limites; Caminhos; Arborização; Culturas e Água.

Visando divulgar, salvaguardar e potenciar o carácter identitário desta paisagem, a estratégia do projeto passa por Reconhecer, Preservar e Incentivar, as cinco vertentes anteriormente frisadas.

No Reconhecer mostramos todas as características observadas e que ainda prevalecem na aldeia, como os muros existentes, os cultivos presentes e as tradições locais. O Preservar tem como função conservar o património que se destaca e melhor identifica o lugar. E por fim, o Incentivar tem como objetivo dar resposta às fragilidades encontradas nos cinco estratos de forma a criar um manual de boas práticas a utilizar no território do PAVT.

 

CAMINHOS, Ana Beatriz Oliveira

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Painel individual. Beatriz Oliveira

 

A paisagem de Ardãos possui uma vasta rede de caminhos que lhe confere um carácter identitário. Partindo deste carácter específico do lugar, o trabalho sobre os Caminhos tem por base analisar os mesmos de acordo com a sua materialidade, limites e dimensões, bem como, compreender a sua evolução de acordo com a cartografia disponível. A partir desta fase de “reconhecer” podemos compreender as particularidades dos mesmos e a importância de “preservar” os caminhos mais característicos do local: os caminhos carreteiros, os de pé posto e os de herdeiro. De forma a preservar os mesmos projetaram-se cenários do que poderia acontecer se estes não forem preservados se não manterem as suas características, fazendo com que o próprio local perca a sua identidade específica relacionada com os caminhos.

 

LIMITES E MUROS, Paulo Oliveira

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Painel individual. Paulo Oliveira

 

Na paisagem de Ardãos podemos observar uma grande variedade de formas de delimitar parcela. A proposta consistiu em reconhecer e catalogar as diferentes tipologias de limites e muros, visando selecionar os que melhor caracterizam este território. Destes destaca-se, os muros de pedra grande, mista e pequena, construídos com os recursos existentes no local e com técnicas rudimentares.

Tendo em vista a dinamização do PAVT e a promoção da mão-de-obra local foram propostos critérios de preservação dos muros com maior valor identitário, bem como, incentivam-se as boas práticas de conservação e manutenção.

 

CULTURAS: HORTAS, VEIGAS E LAMEIROS, Elsa Gonçalves

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Painel individual 1/2. Elsa Gonçalves

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Painel individual 2/2. Elsa Gonçalves

 

Na paisagem de Ardãos podemos reconhecer uma grande variedade e riqueza de culturas. Esta proposta parte do estudo aprofundado das Hortas, Veigas e Lameiros, caracterizando a localização destas parcelas e a sua dimensão, a rotatividade e os tempos de cultivo, as plantações­ e por fim, a entreajuda da população.

A partir dessa análise propõem-se preservar a variedade de espécies plantadas nas hortas, a rotatividade de culturas e a localização das parcelas de lameiros, assim como, incentivar a reorganização das hortas para serem mais produtivas, e incrementar o cultivo nos lameiros e a rotatividade de entre ajuda da população na plantação e colheita.

 

ARBORIZAÇÃO: VINHAS E GALERIA RIPÍCOLA, Tatiana Campos

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Painel individual 1/2. Tatiana Campos

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Painel individual 2/2. Tatiana Campos

 

Na paisagem de Ardãos podemos reconhecer uma grande variedade de arborização, dando-se particular destaque ao estudo aprofundado das vinhas e galeria ripícola. Quer a vinha do enforcado, quer a vinha velha, passou pela análise da dinâmica de plantação, tipologias de cultivo, fixação e manutenção destas espécies. Estas espécies são a riqueza deste território pelas curiosas tradições que possuem, principalmente pela manutenção e continua preservação. As galerias ripícolas passaram pela análise detalhada das espécies predominantes, nomeadamente a Bétula e o Salgueiro-negro, ao longo das ribeiras de Ardãos e Sanidouro e posterior caracterização de tipologias das margens. As técnicas de cultivo da vinha e as suas tradições de manutenção são as características mais importantes a preservar. Com isto, é possível incentivar estas tradições e técnicas de plantação pela potenciação dos baldios e criação de workshop’s, permitindo dar a conhecer estas identidades aos visitantes.

 

ÁGUA, Natalia Máximo

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Painel individual 1/2. Natalia Máximo

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Painel individual 2/2. Natalia Máximo

 

Ardãos possui uma vasta rede hídrica, com nascentes e linhas d’água que percorrem o vale. Podemos perceber dois momentos da água: àquele ligado à aldeia (fontes e tanques) e aquele ligado aos campos (poços), bem como, a sua intersecção com as águas pluviais. Os elementos ligados às aldeias configuram-se como objetos centrais na dinâmica da comunidade local, no entanto, estão degradados. Opostamente, a água na paisagem agrícola é um elemento secundário, tendo pouco uso nas culturas presentes. Dessa forma, a intervenção proposta tem o intuito de valorizar a água no território, visando o seu caráter produtivo, social e lúdico. Através do reconhecimento dos sistemas construídos para preservá-los, devido ao caráter identitário. Incentivar os usos lúdicos da água através do reconhecimento de sítios no território qualificando-os.