Ano Letivo

2009/2010

Unidade Curricular

Laboratório de Urbanística

Ano Curricular


Docência

Vincenzo Riso, Ana Lopes

Título do Exercício

Formas de ocupação

Lugar de Intervenção

Bishopsfield, Harlow, Reino Unido

Enunciado do Exercício

Neste exercício dá-se a cada grupo uma amostra constituída por um projeto de referência da arquitetura contemporânea. Estes projetos investigam as diferentes possibilidades de construção de um conjunto habitacional organizado em forma de tecido urbano e também pontuado por inserções de equipamentos coletivos. É na exploração da articulação entre tipologia e morfologia que se criam os distintos tecidos.

Pretende-se estudar, com base nos documentos fornecidos, as relações entre infraestrutura, parcela e edificação nas suas diferentes escalas. Não se trata do estudo sobre a estética dos edifícios, mas sim dos níveis de articulação entre edifícios / espaço público / espaço aberto privado.

Bishopsfield Estate, Michael Neylan

Andreia Fernandes e Nadine Pereira

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Agregação Modular

No projeto em estudo, salientou-se uma organização da distribuição habitacional segundo um espaço central de carácter público. Este representa o motor que gera toda a geometria envolvente, criando um sistema radial que progressivamente vai perdendo o carácter coletivo. Todo o percurso de acesso às habitações individuais apresenta-se muito encerrado, ladeado por muros contínuos de grandes dimensões que tornam abrupta a passagem do espaço “semipúblico” para o privado.

O espaço central de maiores dimensões abre-se para um interior que “alimenta todas as artérias secundárias”. Localizando-se na cota mais alta, representa uma forma que, à medida que desce, se vai fragmentando e criando diversas relações. Os blocos de habitação que envolvem a praça circular são constituídos por vários níveis que se dispõem da mesma forma que as unidades ao longo da colina, em forma de socalcos. A volumetria crescente em direção á cota alta pretende pertencer á topografia existente, acentuando a colina.

A forma como estes fragmentos se associam e relacionam com a totalidade do projeto origina espaços distintos de acesso, vazios que complementam as vias pedonais, diferentes relações dos pátios interiores entre si e dos mesmos com a envolvente. Foi na análise destas diferentes associações e das suas consequências que incidiu o estudo deste projeto.

 

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Tipologias de dimensão

Pela forma como ocupam o espaço, os blocos habitacionais que se encontram na cota mais alta, levantam-se do chão de modo a criar um percurso de distribuição em galeria ao mesmo tempo que contém terreno em estatuto privado (pátio). Deste modo, podemos considerar que a forma de ocupação destes blocos é um híbrido de galeria e casa pátio.

Por sua vez, os fragmentos habitacionais consistem em unidades modulares que se organizam em torno de um vazio ainda pertencente á parcela- casa pátio. O facto do acesso ser feito de diretamente da rua e ser agregado a outros módulos pela adição, confere-lhe propriedades de ocupação em banda.

A variação da quantidade de compartimentos (T4, T4+1, T3+ TO, T3) altera as dimensões dos módulos não modificando, contudo, o alinhamento das entradas.

Um elemento relevante na definição das habitações é o muro que as ladeia, que conforma as parcelas individuais e impossibilita a ·leitura exterior distorcendo a realidade interior. Estes muros encerram os espaços de circulação (semipúblico), sendo mais recortados na relação com o espaço público.

 

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Modos de agregação

A agregação habitacional em estudo organiza-se segundo um centro para o qual confluem eixos radiais estruturantes de toda a agregação modular, com quatro tipologias de dimensão diferenciada. Esses Módulos agregam-se fundamentalmente em cinco formas distintas, com a particularidade de em todos eles se fecharem para a linha pedonal de acesso às habitações.

 

A Reflexão axial

Um dos modos de agregação recorrente no projeto é a associação refletida de módulos em relação a um eixo, a rua pedonal de acesso. No sentido radial a associação dos módulos, ao contrário do sentido transversal, realiza-se por adição, não alterando a posição da unidade.

No caso apresentado, esta forma de agregação, conforma na totalidade, os três grupos radiais centrais pertencentes à forma totalitária desta agregação habitacional. Esta situação não é repetida nos grupos laterais e no grupo isolado não radial, de maior densidade (no que diz respeito à quantidade de módulos que formam, esses grupos).

 

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B Reflexo compreendido entre.

Pela densidade presente nos grupos laterais, estes necessitam que o número de vias pedonais de acesso aumente, ma o modo como as unidades se relacionam com esta mantém-se, a forma em L, desenha e fecha-se para a rua. Desta forma, resulta obrigatoriamente numa associação refletida, entre duas unidades, ladeadas pelas vias pedonais, como se apresenta na figura.

 

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C Dupla axialidade

Esta forma de agregação tem uma outra variante, que se verifica numa segunda reflexão da tipologia de agregação anterior.

Este modo de associação resulta numa agregação de pátios que dão origem a um espaço unitário onde o limite é estabelecido pelo conceito de propriedade. Neste caso, não é feito um simples somatório, mas uma tentativa de comunicabilidade de espaços exteriores.

 

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D Associação Heterogénea

A agregação de quatro unidades também se verifica numa a associação de módulos de dimensões diferenciadas, que resultam num espaço vazio, de carácter semipúblico (espaço frequentado maioritariamente por indivíduos moradores), capilar da via pedonal radial.

 

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E Ausência como exceção

Por fim, nos grupos de grande densidade sobressai uma tipologia relacionada diretamente com a única rua pedonal transversal que atravessa o grupo lateral de agregados habitacionais. Esta maneira de associação adiciona, excecionalmente, uma unidade habitacional com um espaço vazio de carácter público paralelo à via pedonal. Este modo de agregação está diretamente relacionado com o facto desta rua transversal representar uma quebra na malha do grupo. Esta exceção poderia ter sido um limite de uma conformação associada a forma circular do núcleo gerador do projeto.

Visto que todo o limite do projeto apresentava uma forma irregular de tentativa de se adoçar à envolvente, este grupo habitacional apresentava uma densidade incoerente com a globalidade necessitando de um momento de exceção que seguisse o desenho do restante limite.

 

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