Ano Letivo

2013/2014

Unidade Curricular

Atelier 2A – Território

Ano Curricular


Docência

Marta Labastida

Título do Exercício

Aproximação ao Vale do Ave

Lugar de Intervenção

Silvares e Ronfe, Guimarães

Enunciado do Exercício

O programa contempla um único exercício que tem como objectivo principal ensaiar alternativas de intervenção no território difuso. Perante uma área localizada entre as freguesias de Silvares e Ronfe, os alunos devem confrontar distintas aproximações ao lugar interpretando as problemáticas específicas do território difuso contemporâneo.

Cada uma das aproximações, sintetizada em forma de narrativa deverá ser capaz de apontar novas alternativas de intervenção em forma de projecto-estratégia.

O projecto-estratégia pedido deve considerar-se um processo de investigação que, para além de cruzar distintas referências e explorar novas ferramentas, deve (re)conhecer diversas escalas em simultâneo, questionar programas, articular permanências e transformações, aproveitar utilidades e materiais encontrados no lugar… Em definitiva, o projeto estratégia deve ser capaz de determinar um novo campo de relações e processos, ativar os existentes e estimular alguns possíveis.

Entre Caminhos

Daniele Burattini

Esta proposta projetual, no âmbito do território desenvolve-se utilizando como base teórica o pensamento de Serge Latouche, filosofo contemporâneo; em particular retirando inspiração de dois dos seus livros: “La decrescita felice” e “Limiti”.

 

Estes dois textos têm como conteúdo principal uma forte critica à sociedade moderna e em particular à capitalista, que, segundo o autor, tem a apanágio do crescimento continuo, que levará à devastação do planeta e à ausência de limites em termos económicos e sociais, no que diz respeito à economia e à produção de riqueza em detrimento do bem comum e do bem estar social.

 

Como tudo isto se liga ao projeto aqui apresentado é de fácil percepção. O objetivo do projeto prende-se em criar  lugares e espaços onde se possa ativar uma micro-economia equilibrada,  onde existam lugares de produção inseridos em ciclos produtivos e reprodutivos de acordo com uma troca equivalente. Ou seja, o que se tira da Terra, se devolve à Terra.

 

Decidiu-se então desenvolver através de uma linha de água existente, uma série de intervenções arquitectónicas e agrónomas destinadas |à realização de elementos necessários à criação de um ciclo produtivo baseado na recolha de amêndoas, graças à sementeira das mesmas e de um ciclo de produção de todos aqueles produtos que derivam da apicultura. Mais especificamente propôs-se uma nova estrada pedonal que se derrama ao longo da linha de água e que encontra esporadicamente campos de amêndoas e árvores especificamente plantadas; a mesma une diversos espaços abandonados que foram recuperados no desenho arquitectónico, de forma a serem utilizados como lugares de agregação e de vida pública do território em análise. Os vários edifícios, hoje em estado de abandono são recuperados e transformados, seja pela produção derivada das abelhas, seja para o melhoramento deles mesmos. Laboratórios, armazéns, lojas, espaços para agregação, são todos interligados pelo redesenho deles mesmos através dos habituais e canónicos elementos arquitectónicos e das árvores de fruta, das colmeias e do percurso pedonal que une todos os elementos.

 

Do território, no território, para o território, num ciclo de boas práticas, pela convivência pacifica do ser humano com o planeta.

 

Texto: Daniele Burattini

Tradução: Filipa Pereira