Ano Letivo

2013/2014

Unidade Curricular

Atelier 1A – Paisagem

Ano Curricular


Docência

Rute Carlos

Título do Exercício

A Paisagem da Veiga de Creixomil

Lugar de Intervenção

Veiga de Creixomil, Guimarães

Enunciado do Exercício

ATELIER 1A contempla um único exercício prático, faseado, que tem como objetivo a reflexão e a transformação da Veiga de Creixomil.

Partindo desta área de reserva agrícola e ecológica, procurar-se-á analisar a complexidade do lugar, interpretando os elementos, os processos, as dinâmicas e as lógicas relacionais que caracterizam a sua paisagem, de modo a formular uma estratégia de atuação que ative o seu potencial latente.

O exercício desenvolve-se em três fases:

(1) ANÁLISE – a partir da observação in situ e da exploração do lugar os alunos, em grupo, deverão construir uma narrativa (crítica e seletiva) que sintetize a problemática e o potencial do lugar e que aponte uma ideia/conceito de intervenção.

(2) ESTRATÉGIA – a través da exploração da ideia, os alunos deverão descobrir/desenvolver as ferramentas que permitem sintetizar o processo de atuação, enquadrando-o num projeto estratégico capaz de definir em simultâneo, um método de atuação e um compromisso formal com o lugar, definindo programa(s), escala(s) e tempos(s) de intervenção. Nesta fase serão também definidos os âmbitos de atuação individual.

(3) ATUAÇÃO – a partir da estratégia, cada aluno individualmente irá produzir um estudo preliminar de um âmbito de atuação, desenvolvendo ferramentas que o permitam sintetizar. Esta fase concluirá com a definição formal e construtiva de uma ou várias intervenções propostas.

Irrigação como Potenciador da Paisagem

Nuno Costa, Miguel Fernandes e Diogo Antunes

Painel de grupo

Painel de grupo

Entendendo a paisagem agrícola da Veiga como algo de extrema importância no contexto local e regional e que deve ser preservada, pretende-se construir uma estratégia que disponibilize ao território os meios necessários para preservar e potencializar a sua paisagem agrícola através da irrigação. O objetivo não passa por redesenhar a estrutura existente, que aparenta não ter a melhor forma, mas sim oferecer alternativas a esta sistema que permitam cumprir da melhor maneira as funções de uma boa rede de irrigação. Além de cumprir estas funções pretende-se que esta nova rede seja capaz de se abastecer a partir de diferentes fontes de água para além da do rio, uma vez que se entende que esta água esteja num estado de poluição grave e impróprio para uma produção agrícola de qualidade. Esta fonte alternativa de água será a proveniente das águas das chuvas, uma vez que verifica uma melhor qualidade para uso agrícola e a sua recolha irá verificar em muitos casos uma medida de controlo de pequenas inundações e erosão dos solos. É ainda intenção que esta rede alternativa de irrigação desenhe pontualmente espaços de recreação pública e que permitam uma maior aproximação do público local e consequente consciencialização da importância da distribuição da água num território.

 

Para a concretização desta estratégia foram escolhidos três elementos muito marcantes na paisagem da Veiga de Creixomil. O primeiro será a própria rede hidrográfica do local que permanece num estado grave de poluição e degradação e merece olhar importante uma vez que é o principal motor de toda a irrigação do território. O segundo será a infraestrutura rodoviária, que possui atualmente um sistema de desvio das águas residuais das estradas mas que termina no lançamento descontrolado destas no território. O terceiro serão as muitas estufas espalhadas pela paisagem da Veiga que têm o potencial para captar essas águas e beneficiam em muito tanto da sua recolha com da sua utilização na produção agrícola.

 

RESTRUTURAÇÃO DA REDE HIDROGRÁFICA, Diogo Antunes

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Painel individual. Diogo Antunes

A estratégia tem como base reabilitar o Rio Selho e a Ribeira de Couros na zona da Veiga de Creixomil tendo em conta o enorme impacto que esses mesmos dois elementos adquirem na produção agrícola e consequentemente na Paisagem. O estado atual destas duas linhas de água não permite extrair delas mesmas o enorme contributo que poderiam dar à produção agrícola na zona em questão. A água apresenta-se contaminada, com um odor muito forte e incomodativo, assim como as margens estão em estado de erosão, com a presença de sedimentos em todo o seu cumprimento e completamente preenchidas de vegetação infestante.

 

 

ÁGUAS PLUVIAIS DAS INFRAESTRUTURAS RODOVIÁRIAS, Miguel Fernandes

 

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Painel individual. Miguel Fernandes

A proposta de intervenção formaliza-se numa decomposição em três sectores de intervenção que utilizam como principal ferramenta de ação a transformação topográfica destas parcelas para a implantação, desenho e construção do projeto de lagoas de macrofítas.

 

Interessa assim, perceber esta ação transformadora enquanto desenho de chão onde a topografia pretende ser ao mesmo tempo o elemento que tanto dá forma à rede de lagoas através de vários níveis de tratamento de água, como também o gesto condicionador da permeabilidade entre diferenciados espaços.

 

 

ÁGUAS PLUVIAIS DAS ESTUFAS, Nuno Costa

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Painel individual. Nuno Costa

Nesta intervenção utilizaram-se as estufas do território como meio para captação das águas pluviais, estabelecendo desta forma um sistema alternativo à Ribeira de Couros. Estes objetos que compõe a paisagem da Veiga de Creixomil suportam a rede captação estabelecida no território tornando-se numa geradora de processos agrícolas e sociais. Através de transformações em locais específicos, este sistema permite potenciar os vários tipos de agricultura local assim como atuar como espaço público de consciencialização da importância da irrigação. A proximidade das estufas com a Ribeira de Couros permite que o percurso da água recolhida termine no seu leito e seja no fim conduzida para outras intervenções de conceito complementar.