Ano Letivo

2011/2012

Unidade Curricular

Laboratório de Urbanística

Ano Curricular


Docência

Cidália Ferreira da Silva, Vincenzo Riso

Título do Exercício

Ferramentas de interpretação/representação — Construir um olhar específico

Lugar de Intervenção

Vale do Cávado, Vila de Prado e Soutelo

Enunciado do Exercício

Este exercício propõe a reflexão sobre áreas inseridas no território do Vale do Cávado. Este território apresenta um modelo de urbanização distinto do modelo tradicional, associado às cidades consolidadas, sendo assim necessário treinar o olhar para o reconhecimento dos traços e pegadas que estes territórios apresentam, com o objetivo de inventar novas formas de intervir.

É fornecida uma amostra alargada do Vale do Cávado delimitada pela Vila de Prado e Soutelo, e pretende-se que o aluno crie uma interpretação que se funda num olhar específico; este olhar seleciona temas e/ou elementos, que por serem sistematicamente recorrentes em toda a extensão da amostra, se reconhecem como estruturantes no território e na paisagem resultante.

O mote para a criação da ideia-chave será dado com a seleção de uma fotografia, que o grupo considere exemplificativa da sua inquietação perante a área de estudo. Devem associar essa fotografia a um tema e/ou elemento reconhecido.

Limites

João Pedro Fonte, Joel Ferreira, Dinis Gil Lima e Leandro Oliveira

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Da observação e experimentação do terreno sobressaiu a diversidade e riqueza dos limites que definem as parcelas. Estes limites são formados por elementos que se repetem marcando a paisagem. Entendendo o terreno como uma manta de retalhos, optamos por nos focar naquilo que faz do mesmo, um todo a partir das partes: a costura, ou seja, os limites do retalho, das parcelas. Partindo deste princípio, confinámos na amostra global uma parte que engloba diversos tipos de limites, devido ao confronto entre zonas urbanizadas e zonas agrícolas.

 

Analisando a amostra é percetível a ligação entre o uso dos espaços e a topografia e hidrografia. As zonas urbanizadas localizam-se nas zonas de encosta, ainda que suavemente, libertando assim as zonas mais baixas e planas para cultivos, sobretudo agrícolas. Este facto prende-se com a presença próxima do rio Cávado, que foi tornando, ao longo do tempo, está área privilegiadamente fértil.

 

Estas diversas utilizações do espaço vão dar mote ás diferentes tipologias de limites.

 

Se analisarmos as zonas urbanizadas em contraste com as zonas agrícolas percebemos grande dualidade dos limites tipológicos de ambas. Após a análise, podemos afirmar que o limite funciona muito como um filtro que dilui a transição, entre o espaço público e o espaço privado. A habitação que é sempre um programa de intimidade necessita de privacidade, daí o limite será tão marcado e extenso. O que conforma o limite será então o muro e o pequeno jardim ou pátio. O limite não é simplesmente uma linha, mas um espaço de transição.

 

Em contraste, na zona agrícola, a tipologia dos limites é mais diversa. A divisão parcelar pode ser feita por montículos de terra, linhas de água, poços, alinhamentos de árvores ou marcos, etc. Na sua maioria são limites menos extensos que na zona urbanizada. Não há necessidade de intimidade, apenas se pretende uma divisão territorial, logo estas tipologias são menos impositivas e bastante permeáveis.

 

Conclui-se então que os limites não existem enquanto linha abstrata, são sempre demarcações por elementos físicos. Podem ser simples ou compostos, e de maior ou menor profundidade. Pode ainda afirmar-se que as tipologias estão ligadas ao uso de cada espaço e às suas necessidades.