Ano Letivo

2007/2008

Unidade Curricular

Laboratório de Urbanística

Ano Curricular


Docência

Cidália Ferreira da Silva, Vincenzo Riso, Ana Lopes

Título do Exercício

Mecanismos de transformação

Lugar de Intervenção

Brito, Guimarães

Enunciado do Exercício

Neste exercício propõe-se formular um projeto de intervenção para uma área preponderantemente ocupada por indústrias. Esta área está situada entre os núcleos de Ronfe e Brito, implantando-se paralelamente ao Rio Ave e à EN 206. Trata-se de considerar o lugar como se os edifícios industriais deixassem de existir e o terreno ficasse com os vestígios da sua antiga ocupação e, portanto, encarar o projeto enquanto mecanismo de transformação de uma área que mais tarde ou mais cedo precisará de ser regenerada.

Pretende-se que os trabalhos investiguem um processo de regeneração do sítio. Prescinde-se dos edifícios por escolha didática; esta é uma hipótese de trabalho que também poderá fazer sentido para a reconversão de antigas áreas industriais, em processo de abandono progressivo.

Trata-se, neste exercício, de investigar novas possibilidades de construção de um conjunto habitacional organizado em forma de tecido urbano e pontuado pela inserção de equipamentos, ou outras funções coletivas, como comércio, ou mesmo serviços. Reafirma-se que é na exploração da articulação entre tipologia e morfologia que se define uma hipótese de tecido.

Transmemórias

Daniel Pereira, Daniel Macedo, Fernando Ferreira e Sara Ferreira

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O vale do Ave, na sua imagem heterogénea de território difuso e genérico, gerado pela industrialização das últimas décadas, reflecte a identidade do lugar a ser estudado – parcelas industriais no nó de Ronfe.

 

Considerando as três parcelas industriais pré-existentes como processo regenerativo, a proposta procura enaltecer a indústria, enquanto elemento catalisador de lugar colectivo e comunitário num tempo extinto. Descodificam-se traços, “pegadas” do lugar, activando-se memórias, permanências de um território como palimpsesto.

 

Neste contexto, pretendeu-se num olhar atento e especifico, definir as memórias do lugar, através de pequenos sinais patentes nas parcelas industriais outrora existentes. Aqui o conceito de memória, é transversal no tempo – a memória, no seu jogo diacrónico entre passado e presente, serve de mote para projectar o futuro. A memória, presente nos vestígios das indústrias, nos seus suportes físicos (permanências/estruturas); torna-se capaz de transformar e qualificar espaços pré-existentes – Transmemórias.

 

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Seguindo este conceito, a intervenção projectual, focaliza-se na identificação de suportes de memórias patentes em três espaços ou três parcelas, outrora industriais agregadas na margem do rio Ave: elabora-se uma análise da topografia, linhas de água, rio, parcelamento edificado e agrícola, e infra-estruturas pré-existentes ao longo do tempo.

 

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Na primeira parcela industrial apresentada, partiu-se da presença de um talude artificial e de um depósito de águas residuais, enquanto suportes de memória, originados no tempo da construção da fábrica pré-existente. A indústria assenta num terreno com duas cotas principais: a cota mais baixa, outrora permeável e associada a uma continuidade de parcelas agrícolas agregadas a uma linha de água pré-existente; e uma cota mais alta impermeável. Aproveitando a inclinação do talude artificial como elemento de escoamento de águas, criou-se uma infra-estrutura de distribuição de água, garantindo deste modo, a permeabilidade da cota mais alta do terreno, localização das parcelas de habitação. A cota mais baixa, análoga ao tanque pré-existente e à linha de água, destinou-se à prática de horticultura de uso público, num intuito de garantir a continuidade parcelar agrícola de tempos passados.

 

 

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A segunda situação de parcela industrial regenerativa, definiu os espaços intersticiais entre os antigos sectores da fábrica e a forte presença de arborização, como elementos catalisadores de memória. Através do aproveitamento da estrutura viária e da topografia existentes (presença de duas cotas comuns) identificaram-se os interstícios como espaços de uso público – acesso ao privado, estacionamento, horticulturas comunitárias – ligados por uma cota pública comum. A parcela edificada (habitação), acedida através de uma cota mais privada, interage com a arborização envolvente nas questões de tipologia.

 

 

 

 

A terceira parcela industrial, insere-se num interstício entre o rio e a estrada nacional, procurando-se recuperar uma continuidade de solo permeável existente num tempo anterior à fábrica. Deste modo, os suportes de memória, que irão enaltecer a recuperação desta continuidade perdida, definem-se como aqueles que outrora obstruíam essa mesma – a plataforma artificial de implantação da fábrica. Aqui, o suporte de memória adapta-se a uma nova realidade: transmuta-se num espaço agrícola público (horticultura), trazendo a habitação/espaços pedonais e de lazer da proposta para a proximidade do rio, libertando o contacto da estrada nacional para programas direcionados a serviços e estacionamento. Em suma, esta terceira proposta intersticial, poderia definir-se como uma amostra no território do vale do Ave, num sentido mais vasto, já que apresenta um carácter que poderia ser adaptado a diversos interstícios industriais que se repetem no rio Ave, como forma de regeneração e aproveitamento do espaço.

 

O conceito da memória enquanto suporte projectual, transversal a um território inexoravelmente inacabado, de futuro indefinido, revela-nos novas questões: projectar com o tempo – olhar para as permanências, vestígios ou memórias num intuito de projectar o futuro. Reforçam-se identidades, exaltam-se continuidades e relações outrora existentes.