Ano Letivo

2010/2011

Unidade Curricular

Laboratório de Urbanística

Ano Curricular


Docência

Daniel Duarte Pereira, Vincenzo Riso

Título do Exercício

Mecanismos de transformação

Lugar de Intervenção

Área industrial em Brito, Guimarães

Enunciado do Exercício

Neste exercício propõe-se formular um projeto de intervenção para uma área preponderantemente ocupada por indústrias. Esta área está situada entre os núcleos de Ronfe e Brito, implantando-se paralelamente ao Rio Ave e à EN 206. Trata-se de considerar o lugar como se os edifícios industriais deixassem de existir e o terreno ficasse com os vestígios da sua antiga ocupação e, portanto, encarar o projeto enquanto mecanismo de transformação de uma área que mais tarde ou mais cedo precisará de ser regenerada.

Pretende-se que os trabalhos investiguem um processo de regeneração do sítio. Prescinde-se dos edifícios por escolha didática; esta é uma hipótese de trabalho que também poderá fazer sentido para a reconversão de antigas áreas industriais, em processo de abandono progressivo.

Trata-se, neste exercício, de investigar novas possibilidades de construção de um conjunto habitacional organizado em forma de tecido urbano e pontuado pela inserção de equipamentos, ou outras funções coletivas, como comércio, ou mesmo serviços. Reafirma-se que é na exploração da articulação entre tipologia e morfologia que se define uma hipótese de tecido.

Urdir Identidades

Carolina Teixeira, Humberto Neves, Rui Pereira e Paulo Mendes

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O território do Vale do Ave é um território descontínuo. É certo que da sua fragmentação já muito se escreveu e especulou. Entendendo esta característica como uma mais-valia de projeto, decidiu-se debruçar o nosso pensamento nesse sentido. Desta forma, fragmentando o (des)contínuo, ou seja, aproveitar cada lugar com a sua especificidade e particularidade como base de trabalho, assumindo assim a sua fragmentação como identidade especifica no entendimento de uma continuidade que é por si descontínua, e recuperar estruturas físicas relevantes na definição de identidade do lugar.

Estudo da arborização

Estudo da arborização

 

 

O Lugar Específico

O primeiro impacto com a zona de trabalho centrou-se na vegetação. Ao percorrer a estrada nacional as árvores desviam o olhar das fábricas, numa sobreposição de camadas que acabam por diluir a sua presença. Não apenas o olhar, mas juntamente com os outros sentidos, que se perdem neste jogo de palimpsestos sensoriais. O cheiro intenso dos limoeiros ou dos eucaliptos, preenchem a atmosfera do manto de alcatrão que rasga a topografia.

Para entender o território é necessário entender o lugar e o tempo. Nesse sentido, analisamos algumas cartografias anteriores à presença das fabricas para compreender as transformações do lugar ao longo do do tempo. Assim, construindo uma linha concisa cujo ponto de partida se assume anterior à implantação das fábricas, e cujo ponto de chegada seja a reestruturação da área em estudo, ou seja, a nossa proposta de projeto para o lugar/ espaço.

 

Análise das plataformas existentes

Análise das plataformas existentes

 

 

Análise do Território

Num primeiro momento estruturamos a nossa análise da área de intervenção a partir das três fábricas.

 

Na fábrica n.º l, localizada na cota superior, segundo a análise da cartografia anterior descobrimos que aquele lugar especifico, era um terreno baldio, possivelmente agrícola atravessado uma linha de água, posteriormente anulada pela implantação da fábrica. Assim assumimos essa identidade, passível de recuperação, no entanto assumindo as marcas existentes.

 

Na fábrica n.º 2, implantada na cota intermedia, a rutura que o edifício impôs numa vegetação contínua entre cotas baixa e alta é nítida, todavia este veio criar relações espaciais e urbanas importantes na definição do carácter daquele sítio.

 

Junto ao rio, na fábrica n.º 3, verifica-se inicialmente uma implantação de menor área que permitia uma leitura duma estrutura física definitivamente relevante no desenho e carácter do lugar. Assim tentou-se recuperar essas marcas perdidas numa articulação com as marcas deixadas.

 

Planta geral da intervenção

Planta geral da intervenção

 

 

Horta Pedagógica

A identidade local descobre-se na sua extensão diacrónica, e é assim nas suas marcas e rasgos que podemos recuperar uma identidade fragmentada. Foi então pensado, como ideia primordial a recuperação da hidrosfera natural existente e torná-la aparente, para proveito direto da mesma. Em concordância com este raciocínio decidiu-se então inserir uma programática de lavoura e agricultura (Hortas Pedagógicas), estabelecendo zonas de regadio diretamente ligadas à linha de água. A água seria ainda armazenada num tanque já existente no local. As Hortas serviriam sobretudo o fragmento contíguo a este, como toda uma população próxima.

 

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Maqueta da proposta na plataforma à cota alta

 

É então preciso dizer que a agricultura assume assim um papel fulcral, que preenche todos interesses culturais, sociais, recreativos e obviamente económicos, na medida em que para além do provimento de famílias se foca na ocupação sadia dos tempos livres. Todo este processo não é novo para o concelho, e é com base no sistema já utilizado, que se pretende estabelecer e reforçar os parâmetros e lógica de tal ação imposta ao território e sociedade. Este espaço procura muito mais que restaurar uma memória física, é também um desígnio para otimizar toda a atmosfera física e social do local, e assim recuperar gerações de acentuada terciarização, readaptando-as ao novo paradigma: rural/urbano.

 

Planta da intervenção na plataforma à cota alta

Planta da proposta na plataforma à cota alta

 

Tendo em conta atravessamento da linha de água agora exposta, dividiu-se então o terreno da fábrica em dois fragmentos, de diferente conteúdo. Uma zona de cultivo, que nasce entre os limites anteriormente ocupados, e uma outra zona de lazer e desporto também amarrado à linha de água recuperada, e que tenta regenerar esta zona uma vez perdida para indústria. Esta desenvolve-se num percurso periférico, que teria no seu âmago pequenos espaços, como campos de jogos e zonas de verdes, e pastagem.

 

Cortes da intervenção na plataforma à cota alta

Cortes da proposta na plataforma à cota alta

 

 

Permeabilidade

Este fragmento desenha-se sobretudo na ligação visual entre manchas arbóreas uma vez singulares, e hoje fragmentadas e dissipadas no território. As habitações desenvolvem-se essencialmente em um ou dois pisos, através da agregação de módulos de 25 m2 (75, 100, 125, 150m2), que possuem um pátio próprio ou comum a duas habitações. Estas tiram partido das plataformas industriais, para estabelecerem ligações visuais e viárias. Foram deixadas áreas livres com o pressuposto de futuro desenvolvimento de zonas verdes. É o fragmento que se assume mais demarcado, e assume uma maior rigidez, que por sua vez, um carácter antagónico acaba por criar permeabilidade entre as manchas arbóreas pré-existente, recuperando uma continuidade anterior, embora agora numa articulação com a nova camada de marcas da fábrica.

 

Maqueta da proposta na plataforma à cota intermédia

Maqueta da proposta na plataforma à cota intermédia

 

A permeabilidade referida assume também uma preocupação com o edificado envolvente na medida em que as habitações existentes a norte passam a ter os seus logradouros libertados e expandidos. Por último, as árvores implantadas são por sua vez carvalhos e pinheiros assumindo a envolvente próxima.

 

Planta da proposta na plataforma à cota intermédia

Planta da proposta na plataforma à cota intermédia

 

 

Cortes da proposta na plataforma à cota intermédia

Cortes da proposta na plataforma à cota intermédia

 

 

Extrato

Este último fragmento nasce da junção de ideias dos anteriores propósitos, e que resulta numa proposta de menor escala. Partindo diretamente da envolvente surge a implantação de limoeiros com referencia aos sentidos anteriormente referidos na introdução. Sendo a sua colocação viável e lógica, na medida que este fruto necessita de bastante água. Tal como as ameixoeiras junto à galeria ripícola, onde deixamos lugar para interação de um ecossistema viável e saudável, anteriormente asfixiado. A linha do rio é também acompanhada por um percurso pedestre e possível ciclo via, numa articulação com a própria plantação dos limoeiros e habitações. Ambos estes elementos são colocados em plataformas no sentido de aproveitamento solar e topográfico, e simultaneamente religando a memória da fábrica, e construindo uma linearidade entre natural e construído. Assim, estes dois elementos acabam por resumir os anteriores propósitos. As habitações, são agregadas de forma similar ao lugar n°2, porém menos complexas, e a sua articulação com as árvores e plataformas retratam a sucessão de taludes e retratados entre esta fábrica e as restantes.

 

Maqueta da proposta na plataforma junto ao rio Ave

Maqueta da proposta na plataforma junto ao rio Ave

 

Planta da proposta na plataforma junto ao rio Ave

Planta da proposta na plataforma junto ao rio Ave

Cortes da proposta na plataforma junto ao rio Ave

Cortes da proposta na plataforma junto ao rio Ave

 

 

Sequência dos diferentes tempos da área de intervenção

Sequência dos diferentes tempos da área de intervenção